yogurte grego

14 Dec 2018 / Leonardo Barichello

Desde que voltei da Inglaterra estou procurando um bom Yogurte grego.

Agora deixe-me explicar o que eu quero dizer com bom yogurte grego: um yogurte que tenha a consistência do grego, que tenha um sabor parecido (nada de doce e um pouco amargo) e principalmente que tenha essencialmente um único ingrediente, leite! Esse último item é especialmente importante, afinal, os originais são feitos com esse único ingrediente. Nada de leite em pó, espessantes, mel, coisas pra adoçar ou soro de leite. Simplemente leite.

Minha primeira reação quando olhei o setor de yogurtes no supermercado aqui no Brasil foi boa: várias opções de yogurte grego. Duas checagens de rótulo depois, eu já estava desanimando. Algumas depois eu estava totalmente desapontado. TODOS os yogurtes das marcas mais conhecidas possuem uma lista de ingredientes que vai MUITO além de "leite".

Felizmente, essa história tem final feliz: encontrei o yogurte grego da Yorgus.

yorgus

Ele é um tanto mais caro que os mais comuns, mas tem apenas dois ingredientes: leite (infelizmente desnatado, mais fazer o quê) e fermentos lácteos (provavelmente os gregos podem omitir essa ingrediente, já que eu acho que é necessário para transformar leite em yogurte). E pra completar, o sabor dele é super compatível com o original! Eu recomendo.

Atualização: algumas semanas depois deste post eu encontrei a versão integral desse mesmo yogurte (note na imagem que este era o 0% gordura) e pra minha decepção, achei o super do integral muito pesado, se aproximando muito do queijo. Portanto, fico com o 0%.

Uma discussão sobre métodos quantitativos

28 Nov 2018 / Leonardo Barichello

Matthew Inglis, pesquisador em educação matemática pela Universidade de Loughborough, escreveu uma resenha do livro The trials of evidence-based education: the promises, opportunities and problems of trials in education recentemente publicado por Stephen Gorard, um dos pesquisadores em educação mais fartamente financiados no Reino Unido atualmente.

Gorard é um forte crítico das pesquisas em educação em geral e tem uma postura muito pragmática, que resulta em artigos com poucos apronfundamentos teóricos e filosóficos e focados em questões do tipo "what works". Entretanto, a sua atuação também é questionada entre acadêmicos como sendo superficial e suas criticas como sendo vazias, por não oferecerem alternativas convincentes.

Inglis é um pesquisador muito versátil em termos de métodos. Em sua maioria, seus artigos usam métodos quantitativos mas nem sempre seguindo o design experimental. Tive o prazer de conhecê-lo pessoalmente e fiquei surpreso com o seu conhecimento e sua atitude inclusiva frente a diferentes abordagens de pesquisa.

Na revisão, Inglis critica fortemente as posições de Gorard que, neste livro, atacamente com ferocidade um tanto desproporcional as pesquisas em educação que usam métodos quantitativos. A parte que me chamou atenção no texto, na verdade, são as explicações que Inglis oferece ao rebater os argumentos colocados por Gorard em seu livro. Inglis oferece algumas interpretações muito claras e elucidativas para certas práticas experimentais e, aparentemente sem querer, acaba ensinando muito sobre o tópico. Uma leitura muito recomendada!

um passeio em Sevilha

13 Nov 2018 / Leonardo Barichello

Há algum tempo atrás visitei Sevilha por três dias e achei a cidade muito legal. Não tão chamativa quanto Barcelona e com uma sensação menos turística do que os destinos típicos da Europa, mas ainda bem interessante. Essa impressão talvez seja um pouco enviesada por ter ido fora de temporada, mas isso não tenho como avaliar.

Os dois pontos altos da cidade são o Palácio Real Alcazar, com seu visual mouro...

e um classico de toda cidade espanhola ou de colônias espanholas, a Piazza de Spagna.

Além destes, o Metropol Parasol, apesar de bastante peculiar, certamente vale a visita.

Em termos de comida, fiquei muito impressionado com a lista de tapas clássicas da cidade. Esqueça as patatas bravas ou tábuas de presuntos e queijos e se esbalde com cola de toro (rabada), prove o simples mas saboroso Espinacas con garbanzos (espinafre com grão de bico) e o tenro solomillo (algum corte de porco frito). Mas como em qualquer cidade, a qualidade varia muito de lugar pra lugar, então seguem minhas duas recomendações.

El Rinconcillo: um bar que alega ser o mais antigo de Sevilha, por isso é um tanto movimentado e até um pouco turístico. Tem a parte restaurante no andar de cima e a parte bar no térreo. Vale a pena ficar em pé e comer no balcão pra curtir o clima da parte de baixo, com certeza! Tome vinhos por taça e aproveite a orportunidade para testar diferentes estilos.

Antigua Abacería de San Lorenzo: um restaurante pequeno, com jeitão super antigo mas com uma comida realmente fabulosa! Esqueça suas preferências e vá no que a atendente recomendar. O prato que mais agradou a gente foi uma salada de batata com maionese e camarão; parece besta, mas estava delicioso!

meu voto: Haddad

24 Oct 2018 / Leonardo Barichello

Há alguns dias antes do segundo turno, decidi tornar público meu voto: Haddad.

Demorei tanto por que não tenho orgulho dessa escolha. Preferiria um segundo turno entre praticamente qualquer um dos outros candidatos do que entre Bolsonaro e Haddad.

Minhas razões para votar no Haddad são de dois tipos: simbólicas e baseadas na mensagem geral por trás de suas propostas.

A razão simbólica eu não vou desenvolver aqui em detalhes, mas sugiro a leitura do texto do Papo de Homem do qual extraio a seguinte síntese:

Compreendemos a profunda desilusão com o PT e o sistema político como um todo, da qual compartilhamos.
Não consideramos Bolsonaro um monstro. Nem achamos que ele sai pela rua agredindo fisicamente mulheres ou pessoas gays.
Ele provavelmente deseja que o Brasil prospere, assim como Haddad, Manuela d'Ávila e demais candidatos.
Mas o consideramos inadequado para ser presidente de nosso país. Não queremos ser governados por um homem que ameaça tomar o poder militarmente e se orgulha de homenagear torturadores.

Apesar de simbólica, essas razões são sim muito importantes. Além disso, esse texto do Nexo mostra como Haddad fez uma auto-crítica a alguns pontos relevantes contra o seu partido ao longo da sua campanha. Mais uma vez, um gesto simbólico, mas não por isso menos importante.

No que se refere a propostas, não concordo com todas as de Haddad (por exemplo, discordo de continuarmos a ampliar o plano de interiorização das universidade públcias sem antes avaliar o êxito das tentativas em andamento) e nem discordo de todas as do Bolsonaro (por exemplo, concordo com a expansão do ensino técnico). Uma análise item a item é difícil, lenta e pode se tornar extremamente técnica, mas há duas mensagens que saltam do conjunto das propostas de Bolsonaro que considero muito ruins.

  1. Educação: Bolsonaro parece acreditar em políticas de privatização como solução para a educação brasileira, como os vouchers ("vales" que os pais podem usar pra pagar escola particular para os filhos). A experiência americana mostra que essa estratégia é um fiasco. Além disso, uma olhada nos líderes em educação no mundo mostra que uma das poucas semelhanças é a dominância quase absoluta da educação pública e igual para todos. Em diversos casos, como Finlância e Coréia do Sul, o governo chegou a estatizar a educação para garantir que todos tivessem acesso e participassem da mesma educação. Portanto, não voto em quem defende ideias privatizantes para a educação.
  2. Impostos: como já discuti neste post, o Brasil cobra impostos regressivamente, ou seja, quem ganha menos paga proporcionalmente mais. Isso é resultado, essencialmente, da forte carga tributária indireta (imposto embutidos em produtos e serviços) quando comparadaà carga direta (imposto sobre renda, propriedades e bens). Bolsonaro já defendeu publicamente mudanças que devem tornar o nosso sistema tributário ainda mais regressivo (como cria aliquota única de 20% para o imposto de renda), enquanto Haddad tem propostas que visam tornar o sistema mais justo (como criação de novas aliquotas para o IR, taxação de lucros e dividendos e imposto sobre herança progressivo). Ponto pro Haddad.

Obviamente propostas não são garantias de ações após o resultado das eleições, mas elas explicitam visões de mundo e alinhamentos e, com base nos dois aspectos acima, eu me alinho muito mais ao Haddad do que ao Bolsonaro em dois pontos que considero cruciais para o Brasil. Portanto, meu voto vai para o Haddad.



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