minha experiência com o eelo, ou /e/

11 Dec 2019 / Leonardo Barichello

No começo do ano decidi dar uma chance ao sistema operacional eelo ou /e/ no meu celular. Trata-se de um sistema derivado do android que se esforça ao máximo para diminuir a dependência de serviços google.

logo da /e/

Por alguns anos eu usei o lineage no meu celular, mas este sistema, que e uma tentativa de tornar o android um pouco mais open source, não oferece diretamente muitos recursos para quem quer evitar o google, por isso quis dar uma chance para o /e/. A principal diferença, sob o meu ponto de vista, é que este oferece não apenas um sistema operacional, mas uma série de serviços independentes e já devidamente instalados e integrados ao sistema. Isso facilita muito para quem quer diminuir a dependência de serviços google, mas não tem conhecimento técnico ou tempo suficiente para procurar por soluções para os tantos serviços que tipicamente se espera de um celular atualmente.

No meu caso, os serviços que preciso não são muitos: e-mail, contatos, agenda, sincronização mínima de arquivos, mapas, aplicativo de transporte, navegador, leitor de rss e whatsapp e player de música com navegação por pasta. Como bônus, também gostaria de ter um bom aplicativo para notas, alguns aplicativos comerciais bobos, como untappd e vivino, e o internet banking do Banco do Brasil.

Não vou entrar nos detalhes da instalação (em um Samsung S7), mas conseguir fazer sem nenhuma dificuldade seguindo as orientações do site do /e/. De cara, instalei alguns aplicativos open-source pelo f-droid e outros comerciais pelo Apps, um aplicativo que disponibiliza alguns apps da play store por fora dela. Fiquei muito empolgado com essa última ferramenta, mas logo me decepcionei: só alguns aplicativos estão disponíveis por lá (mais populares internacionalmente) e alguns deles estão um pouco desatualizados (como o Uber, que simplesmente não funcionava). Isso me frustrou muito.

Porém, depois de um tanto de pesquisas, descobri a Aurora Store, um outro aplicativo que se conecta a Play Store e permite baixar (aparentemente) todos os seus aplicativos na versão corrente. Infelizmente, a versão disponível no f-droid não é a mais atual e tive que baixar uma versão manualmente e essa sim funcionou brilhantemente bem!

Nesse momento, tenho todos os aplicativos que queria funcionando e pouco a pouco vou removendo os ligados ao google e substituindo por opções open source. Não uso mais Gmail, Calendar e Google Photos. Ainda uso o Google Maps, mas sem login (0o que diminiui a possibilidade de captação de dados) e a minha grande descoberta foi o NextCloud.

logo da nextcloud

Essa foi uma bela sacada do /e/: um serviço open source e com política de uso de dados muito boa para armazenamento em nuvem que sincroniza contatos, calendário, arquivos e oferece serviço de e-mail. Funciona de fundo, sem incomodar, e permite a sincronização invisível com desktop através de clientes que rodam nativamente em Linux. Por enquanto, eu tenho gostado muito do pacote oferecido quando você cria um usuário /e/. Recomendo muito! Troque o seu dropbox (cada vez mais comercial e menos amigável com linux) por um NextCloud!

Em breve posto uma lista de aplicativos que valem a pena usar no /e/.

feito com LibreOffice

28 Nov 2019 / Leonardo Barichello

Ainda me impressiona o quanto as pessoas e instituições não usam LibreOffice maciçamente. Por conta disso, sempre que tenho uma chance tento reforçar o fato de utilizá-lo ao invés de opções proprietárias piores, caras e fechadas. Uma das maneiras é sempre incluir como anexo o arquivo original (ODT, ODS, ODP ou afins) junto com a versão PDF ou convertida para o formato proprietário padrão. Outra é incluir no rodapé das minhas apresentações um selinho indicando o software utilizado e esse é o motivo deste post.

Como não conheço nenhum selo feito especificamente pra isso, criei a imagem abaixo baseada na versão flat do logo do LibreOffice. Você pode baixar a versão svg aqui e a versão png aqui.

Eu gosto de ficar variando o método de criar slides indo de extremos como o pandoc até anotações manuais, mas sempre que faço com o LibreOffice incluo essa imagem no último slide. Fique à vontade para usar também :)

Baumert et al. (2010) comentado

01 Nov 2019 / Leonardo Barichello

O texto "Teachers’ Mathematical Knowledge, Cognitive Activation in the Classroom, and Student Progress" publicado em 2010 por um grupo de pesquisadores alemães é, na minha opinião, um dos maiores marcos da pesquisa sobre conhecimento do professor de matemática até o momento.

O texto se insere em um contexto em que modelos sobre o conhecimento do professor de matemática vinha crescendo, especialmente com as contribuições do grupo de Michigan, cujo membro mais notável é a pesquisadora Deborah Ball. Porém, enquanto este grupo apostava em um modelo mais complexo (com mais partes) para descrever tais conhecimentos, os autores alemães apostaram em uma distinção mais simples entre content knowledge (CK) e pedagogical content knowledge (PCK) seguindo mais de perto a proposta de Shulman (1987).

Neste post não pretendo discutir em detalhes as características do que os pesquisadores chamaram de CK e PCK que são relevadas a partir de um olhar mais cuidadoso sobre os instrumentos utilizados para coleta dos dados. Mas, resumidamente, CK pode ser entendido como um conhecimento matemático (os autores alemães insistem terem focado em um conhecimento de natureza mais conceitual) e PCK como o conhecimento que conecta aspectos de ensino e aprendizagem ao conteudo disciplinar específico.

O objetivo central do artigo é identificar quais desses dois componentes do conhecimento são mais determinantes nos resultados de aprendizagem dos estudantes. Para isso, coletaram basicamente 3 tipos de dados:

  1. Desempenho dos professores em um questionário focado em CK e outro em PCK,
  2. Desempenho dos estudantes em uma avaliação matemática e outra cognitiva mais geral,
  3. Evidências indiretas sobre a prática dos professores via questionários aos alunos e submissão de material de aula pelos professores.

(junte a isso dados demográficos clássicos para as duas populações)

Os sujeitos foram 181 profeBaumert et al. (2010) comentadossores e 4353 estudantes no 10º ano de escolarização (equivalente ao início do nosso Ensino Médio).

Com esses dados em mãos, os pesquisadores utilizaram ferramentas estatística um tanto complexas para comparar qual variável tem maior poder preditivo no desempenho dos estudantes. De maneira resumida, o que eles fizeram foi calcular o quanto o CK e o PCK dos professores consegue explicar da variação das notas dos estudantes (já descontando os efeitos de variáveis clássicas como gênero, status sócio-econômico, tipo de escola, etc). O mérito dessa abordagem é que o resultado não é apenas uma informação percentual de quanto da aprendizagem pode ser explicado por uma dada variável, o que deixaria o leitor sem saber o quão significativo essa porcentagem é, dado que em educação não existem margens bem estabelecidas para os fenômenos usualmente investigados.

A conclusão principal dos autores é que:

Our findings [...] confirm that it is PCK that has greater predictive power for student progress and is decisive for the quality of instruction.

A segunda parte da conclusão acima vem do fato de PCK também ter se mostrado como um melhor preditor de práticas em sala de aula consideradas positivas, como o nível das atividades propostas e a quantidade de suporte oferecido aos estudantes.

Dado o tamanho da amostra, a quantidade de informações consideradas e o método de análise utilizado, o resultado acima me parece bastante robusto. A sua implicação em termos de formação inicial (tópico que me interessa no momento) é que licenciaturas devem dar atenção especial aos conhecimentos ligados ao PCK e não apenas ao conhecimento pedagógico puro (não ligado ao conteúdo disciplinar) e ao conteúdo matemático puro. Na verdade, os autores estabelecem mais algumas conclusões acerca deste último conhecimento, mas isso será tema de um próximo post.

Referências

BALL, D. L.; THAMES, M. H.; PHELPS, G. Content Knowledge for Teaching: What Makes It Special? Journal of Teacher Education, v. 59, n. 5, p. 389–407, nov. 2008.

BAUMERT, J. et al. Teachers’ Mathematical Knowledge, Cognitive Activation in the Classroom, and Student Progress. American Educational Research Journal, v. 47, n. 1, p. 133–180, 1 mar. 2010.

SHULMAN, L. Knowledge and teaching: Foundations of the new reform. Harvard educational review, v. 57, n. 1, p. 1–23, 1987.

um texto introdutório sobre Scratch para professores de matemática

08 Oct 2019 / Leonardo Barichello

Em 2015 publiquei um texto na Revista do Professor de Matemática no qual fiz uma apresentação geral do software Scratch e depois discuto um exemplo introdutorio voltado para professores de matemática. O texto é ótimo pra quem não tem familiaridade com o Scratch (software muito poderoso do MIT criado para tornar programação de computadores mais acesível para crianças e jovens).

Eis que 4 anos depois eu vou procurar pelo texto e descubro que ele está disponível gratuitamente online! Visitem aqui: rpm.org.br/cdrpm/88/41.html

O texto é cheio de links para que o leitor possa conhecer não apenas materiais introdutórios, mas também exemplos de projetos que realizei com alunos do Ensino Fundamental. O foco nem sempre é na Matemática, mas ela costuma aparecer bastante por lá.



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